quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pequenos sim, sem qualidade nunca!

Capricho nos mínimos detalhes

Fala-se muito nos chamados filmes feitos com pequenas mídias digitais. Desde que iniciamos os nossos trabalhos aqui em Muqui, nunca gravamos algum filme, peça ou curta metragem com alguma filmadora de grande porte. Além de não possuirmos este recurso, acreditamos que o trabalho fica muito mais fácil de fazer se o suporte de gravação for o menor possível.

Os filmes feitos com câmera digital ficam muito bons e a população da cidade vibra quando assiste a algum filme nosso. Muitos, até, nem acreditam que o filme foi gravado com uma simples câmera digital, que qualquer um tem, guarda no bolso da calça ou na bolsa.

O que a gente mais preza é a produção. Quando se trata de filmes ficcionais, principalmente, o que a gente logo pensa é na produção que deve ser bem caprichada. Não é porque a gente não tem câmeras hollywoodianas que vamos deixar o resto a desejar. Cuidamos dos objetos de cena, contatamos as pessoas, trabalhamos a interpretação, vamos atrás do que for preciso para que a cena fique a mais perfeita possível.
O filme pode ser gravado em câmera digital ou celular, mas procuramos caprichar nos detalhes para que a história pareça cada vez mais real, envolvente, cheia de contornos, que transmita emoção, que inspire.

Podem surgir perguntas do tipo: O que adianta uma produção dessas se tudo vai ser gravado em uma camerazinha digital? Será que vale a pena?

Eis aí o barato de tudo, meus caros!É claro que vale a pena. Nosso trabalho é desafiar-nos a cada trabalho, termos experiência sempre. O que mais nos interessa é o aprendizado com as nossas próprias agendas de produção, aprender a rotina de gravação de um filme, mesmo que este seja gravado com um simples celular. As pessoas precisam entender que, o que precisamos, não são mega estúdios, gruas, tripés, mas criatividade, força de vontade, amor no coração, tesão por arte, por audiovisual.

E é com esse amor e entusiasmo que estamos gravando “A Herança Maldita”. Trata-se de uma trama de época, que atravessa várias fases. Apresentamos a neta ainda criança, com a avó na década de 20, e depois apresentamos a avó e a neta passados mais de 20 anos. A pesquisa, embora rápida (por causa do pouco tempo que há), foi feita com zelo e cuidado. Produzimos uma pasta com figuras de cabelos, trajes. Procuramos bazares e pessoas que poderiam nos ajudar nas roupas de acordo com o pesquisado. O sitio histórico da cidade contribuiu (e muito!) para o desenvolvimento da história. Alguns casarões da cidade de Muqui dão a idéia de abandono e serão o pano de fundo para nossas realizações.

O que a gente quer é passar a idéia de passado. Queremos que as pessoas, ao assistirem o nosso vídeo, entre num túnel do tempo, penetre no universo das duas protagonistas da lenda. A nossa intenção é emocionar, é mostrar no que, de fato, somos capazes.

Entrevista com o diretor

“Não é porque o curta “A Herança maldita” é gravado com câmera digital que vamos deixar de nos preocupar com a produção, com os detalhes das cenas. Precisamos superar os limites, as dificuldades e nos surpreender, emocionar o público, inspirar”.

QUEM É: Natural de Muqui, interior do Espírito Santo, Leonardo Alves é graduando em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem 19 anos e participou em 2008, da oficina de produção e vídeo "Geração Futura" do Canal Futura, no Rio de Janeiro.

Porque recriar e falar de uma história de época?
Quando penso em lendas, logo me vem a mente recortes fotográficos de época, histórias antigas, passadas, contos e causos interessantes. A história de “A Herança Maldita” seria completamente diferente se não tivesse esse ar de época. As roupas dos anos 20 e 40 que utilizamos nas cenas fizeram total diferença. A composição, o contraste...isso tudo fez e está fazendo a diferença. Os objetos de cena utilizados nas gravações nos remontam a um passado cheio de histórias, histórias desconhecidas, mal contadas. È esta a impressão que quero passar. Coisas ocultas, histórias que serão descobertas aos poucos, imagens que despertem a curiosidade, lembranças.

Qual a relação que “A Herança Maldita” estabelece com as lendas?
Total. A história que engendrei narra a história de uma avó riquíssima que cuida de uma neta órfã até morrer. A pobre neta estava iludida, acostumada sempre no luxo se viu de frente para uma situação apavorante: a avó não tinha nada absolutamente. E é aí o epicentro da história. A neta, frustrada pela herança que não recebeu, cai em desgraça num palacete. Suas mazelas vão causar medo na população em volta deste palacete, despertando a curiosidade.
Eu acho que esse é o barato das lendas. Elas despertam curiosidade e mechem com o imaginário popular. Em “A Herança Maldita” mostraremos o lado de dentro, o lado de quem vive a lenda, de quem estimula o imaginário, os bochichos, o medo.
Acho interessante ter esse olhar interno, o olhar sobre aqueles que, de certa forma, foram condicionados a certa situação e viram lenda.

De onde veio a inspiração para a história?
A inspiração veio da minha própria cidade. Queria fugir das lendas já existentes. Tentei criar algo que utilizasse o lado bucólico do cenário da minha cidade natal numa história que fosse fictícia.

O que você acha do festival Cel U Cine?
O festival tem mil possibilidades. É um evento que lhe da a liberdade de trabalhar com qualquer coisa, com qualquer idéia. É claro que há os temas que devem ser respeitados, mas ele possibilita que reinventemos, que utilizemos recursos como fotografia e outros fades modernos, que brinquemos com o irreal, com as histórias desse mundo!
Estou torcendo para que ele seja sempre um sucesso. O conheci esse ano e já sou um fã de carteirinha.

Mais e mais gravações...

Aconteceu hoje as gravações do café da manhã! Confiram!
Um luxuoso Café da manhã

E a gente não pára! Gravamos hoje as cenas de um rico café da manhã na fazenda Santa Rita, aqui da região. A intenção da cena é demonstrar a fartura da família nos mínimos detalhes, inclusive os momentos mais naturais. Contamos com a colaboração do Kesya’s Buffet. As roscas, pães e bolinhos foram comprados por nós e o figurino desta cena mesclou roupas atuais (que se adéquam ao visual antigo) e roupas do acervo do filme, emprestadas ou compradas em bazares.

Fotos de bastidores:

A lenda fictícia faz uma reflexão sobre o desejo, a loucura humana, o bem e o mal, a vida e a morte.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma história de amor entre neta e avó

“A Herança Maldita” é uma simulação ficcional da história de uma rica avó e uma neta órfã. Acostumada sempre no luxo e na fartura ao lado da avó, a neta cresceu com grandes sonhos, alimentados e estimulados pela própria avó. Com o passar do tempo, a neta foi crescendo e suas ambições pessoais aumentando. Sonhava em usufruir todos os bens da família, herdar o dinheiro, viajar.

Para a surpresa de todos e da própria neta, nada havia sido deixado no testamento. A neta teve de começar a viver num velho palacete que pertencera à avó no passado. Na mansão, tida como mal assombrada por muitas pessoas, e neta viverá as piores mazelas, entrará em contato consigo mesma, viverá desesperada, triste, sem rumo, sem destino.

A neta contraditória e excêntrica

"O curta ficcional de época “A Herança Maldita” traz a história de uma neta que encontrou, na loucura, nas visões e pesadelos, a saída para as frustrações herdadas do testamento deixado pela sua avó".

"A lenda fictícia faz uma reflexão sobre o desejo, a loucura humana, o bem e o mal, a vida e a morte".

O funeral

Rolou hoje as gravações de um funeral, cena importante para a trama/curta que será inscrito no festival de micrometragens Cel U Cine.

*Manuela Guarçoni interpreta a neta da história

As cenas foram rodadas na fazenda Santa Rita, em Muqui – Espírito Santo. O figurino da neta que velava lúgubre a avó, estava impecável, do jeito que eu imaginara. Construímos o chapéu de época com palha pintada, tecidos de vários tipos na cor preta, detalhes em miçangas e cetim.

A cena precisava ser bem carregada, e assim foi o figurino. A personagem também carrega em si muito exagero, trata-se da história de uma neta excêntrica e contraditória. Ainda no chapéu, penas e plumas negras. Tule sobre o rosto da atriz (Manuela Guarçoni) e um vestido adaptado. Colocamos uma renda sobre o pescoço pois o vestido era muito decotado para a época.

Na cena o que mais valia era a expressão já que não havia falas da personagem, era a neta fazendo uma última despedida a avó e ponto.

Quero agradecer à Mariana Candido, que me ajudou muito, à Leandra, à Amanda Falcão, Jussan Silva e Manuela Guarçoni.

Confiram as fotos da gravação!



Equipe: Jussan, Manuela, Mariana e Léo Alves

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um caixão e muitas histórias

Foi com luta árdua, suor e muita oração que conseguimos o empréstimo de um caixão. Foi difícil porque, por incrível que pareça, na cidade só há uma empresa funerária. Estamos falando de uma cidade de aproximadamente 13 mil habitantes, cidade histórica, pacata. Para completar, a dona da funerária é uma senhora rabugenta, fechada, sem perspectiva, sem idéias. Mas não íamos desistir fácil. Caso ela não alugasse ou me emprestasse, teria que procurar alternativas para a cena do funeral da avó (que acontece durante a história). Mas eu não conseguiria desapegar fácil a idéia. O caixão era peça fundamental na cena que já estava toda na cabeça a um tempão.

Chamei um amigo para me acompanhar até a funerária da tal Maria Carmem para pedirmos o empréstimo ou o aluguel. A mulher é realmente insuportável. Quis saber de quem éramos filhos, onde morávamos. O que isso ia interferir no processo? O que os meus pais tinham a ver com toda a situação? O que a minha linhagem ia interferir no aluguel de um caixão? Tivemos que engolir muita coisa, a começar pela ignorância da própria velha. Por dentro, eu rezava, por fora eu suava.

A mulher parecia nos deixar aflito a cada pausa que fazia entre uma fala e outra. Ela não dizia nada com nada! Estava nos enrolando. E ainda preferia atender outros clientes enquanto esperávamos como dois de paus o seu veredicto final.

Acho que as oração funcionaram e todos os santos fãs do cinema nacional colaboraram. A velha emprestou um dos caixões da sua funerária para a nossa gravação. De graça!! Agradecemos muito. Mas sua cara continuava fechada, nenhum sorriso. Fiquei a pensar: que mulher amargurada! Foi daí que surgiu uma outra idéia para a segunda etapa do Cel U Cine. Enquanto eu voltava para casa junto com meu amigo para continuarmos a resolver pepinos de produção, eu amadurecia na minha cabeça, mais uma idéia para o festival. Seria um curta simples, só iria precisar de uma casa velha e uma senhora. O nome já até havia surgido na minha cabeça, o título seria: A MÃO. Deu curiosidade? Então aguardem. Assim que eu terminar todas as gravações previstas para “ A Herança Maldita” iniciarei a produção do próximo curta. Haja coração!

Vou terminando aqui este post. Tenho que ir atrás de alguém que posso carregar o caixão até a fazenda Santa Rita, local onde acontecerá a cena do funeral da avó.

Abraços!

Léo Alves

Obs.: Foto da gravação que aconteceu no trilho de trem com Manuela Guarçoni

Respiro

Aproveito o intervalo entre uma gravação e outra e o pouco tempo que ainda me resta aqui, para postar aqui mais alguns detalhes de como a produção e as gravações estão rendendo.

Estou muito feliz com todo o processo. Tenho pessoas do meu lado que estão me ajudando e é incrível ver sair do papel a história que eu criei. Estou acreditando demais na nossa proposta, no nosso trabalho sério.

Muitas dificuldades aparecem, o tempo agora passou a acelerar, mas não vamos desistir. Consegui, hoje, a autorização para gravar numa casa abandonada que há no meu bairro. Agora há mil coisas de produção para resolver, figurino, cenários!

As gravações de um funeral acontecerão em breve.

Confiança, sempre!

Abraços!

Léo Alves!

domingo, 25 de julho de 2010

Lendas Urbanas!

E as gravações começaram!

Assim que o tema do Cel U Cine (segunda etapa) foi divulgado, juntei alguns amigos da minha cidade natal (onde passo as férias), para recriarmos uma antiga idéia que tinha na cabeça. Pensei em simular uma história que eu inventei sobre a relação de uma rica avó com sua neta. Será uma lenda ficcional.

Depois de chamar as pessoas, fiz questão de convidar aqueles que eu havia pensado para os principais papéis na ´"trama". Não me decepcionei. Essa semana aconteceram as primeiras gravações. Fomos gravar uma cena em que a neta, já num estado de loucura avançado, vê a avó e ela própria num trilho de trem. Arrepiei! Leandra Passini (a avó), Maria Eduarda (a neta na primeira fase) e Manuela Guarçoni (a neta na ultima fase) me fizeram ter certeza que cinema é algo que quero sempre presente na minha vida profissional. Não tenho câmera profissional, mas mesmo assim acredito que cinema pode ser feito em qualquer lugar e em qualquer suporte. Desde grandes peliculas até câmeras digitais e celulares.

Deixei o figurino do filme a cargo da minha namorada, Mariana Candido. A história é de época e, por isso, exige um cuidado maior com as roupas. Fomos atrás de pessoas aqui da própria cidade que nos pudessem auxiliar nessa tarefa. Encontramos senhoras que colecionam roupas de época, luvas, sapatos. Confesso que estamos investindo um pouco na produção. Há chapéus de época que não estamos conseguindo encontrar, vamos produzí-lo!!!

A verdade é que estamos a todo o vapor e não vamos poupar esforços para que esta história ganhe as telas do Cel U Cine e impressione pela produção, pelo cuidado com os detalhes, pela idéia estética e artistica.

E detalhe: gravamos tudo com câmera digital, daquelas tipo Sony Cyber shot.

Em breve postaremos alguns videos e mais algumas fotos. Estamos agendando próximas gravações para esta semana. Temos muitas dificuldades, principalmente na produção, o tempo aqui na cidade está ajudando. Temos que conseguir um caixão (isso mesmo: um caixão!!) até amanhã, estamos nervosos, mas ansiosos para que tudo dê certo. Confiança sempre!

Um abraço!

Léo Alves