segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um caixão e muitas histórias

Foi com luta árdua, suor e muita oração que conseguimos o empréstimo de um caixão. Foi difícil porque, por incrível que pareça, na cidade só há uma empresa funerária. Estamos falando de uma cidade de aproximadamente 13 mil habitantes, cidade histórica, pacata. Para completar, a dona da funerária é uma senhora rabugenta, fechada, sem perspectiva, sem idéias. Mas não íamos desistir fácil. Caso ela não alugasse ou me emprestasse, teria que procurar alternativas para a cena do funeral da avó (que acontece durante a história). Mas eu não conseguiria desapegar fácil a idéia. O caixão era peça fundamental na cena que já estava toda na cabeça a um tempão.

Chamei um amigo para me acompanhar até a funerária da tal Maria Carmem para pedirmos o empréstimo ou o aluguel. A mulher é realmente insuportável. Quis saber de quem éramos filhos, onde morávamos. O que isso ia interferir no processo? O que os meus pais tinham a ver com toda a situação? O que a minha linhagem ia interferir no aluguel de um caixão? Tivemos que engolir muita coisa, a começar pela ignorância da própria velha. Por dentro, eu rezava, por fora eu suava.

A mulher parecia nos deixar aflito a cada pausa que fazia entre uma fala e outra. Ela não dizia nada com nada! Estava nos enrolando. E ainda preferia atender outros clientes enquanto esperávamos como dois de paus o seu veredicto final.

Acho que as oração funcionaram e todos os santos fãs do cinema nacional colaboraram. A velha emprestou um dos caixões da sua funerária para a nossa gravação. De graça!! Agradecemos muito. Mas sua cara continuava fechada, nenhum sorriso. Fiquei a pensar: que mulher amargurada! Foi daí que surgiu uma outra idéia para a segunda etapa do Cel U Cine. Enquanto eu voltava para casa junto com meu amigo para continuarmos a resolver pepinos de produção, eu amadurecia na minha cabeça, mais uma idéia para o festival. Seria um curta simples, só iria precisar de uma casa velha e uma senhora. O nome já até havia surgido na minha cabeça, o título seria: A MÃO. Deu curiosidade? Então aguardem. Assim que eu terminar todas as gravações previstas para “ A Herança Maldita” iniciarei a produção do próximo curta. Haja coração!

Vou terminando aqui este post. Tenho que ir atrás de alguém que posso carregar o caixão até a fazenda Santa Rita, local onde acontecerá a cena do funeral da avó.

Abraços!

Léo Alves

Obs.: Foto da gravação que aconteceu no trilho de trem com Manuela Guarçoni

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